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Mercado & Consumo

23 Jul 2013

Presidente da Dudalina prepara sucessor e planeja presença no exterior

Com seis fábricas e 73 lojas abertas até abril e potencial para mais 27 no Brasil, a camisaria catarinense Dudalina se prepara para ser liderada por um executivo de fora da família do senhor Duda e da senhora Adelina, fundadores da marca em 1957, na cidade de Luis Alves (SC).

 

A relação entre a Dudalina e Sonia Hess, de 56 anos, começou ainda criança, quando ela trabalhava como vendedora na primeira loja de seus pais, em Luis Alves (SC). Ela saiu de trás do balcão no interior de Santa Catarina para comandar a companhia a partir de um escritório confortável no Paraíso (Zona Sul de São Paulo).

 

Sonia é responsável por um crescimento anual de 30% da marca desde 2009 e diz que nunca pensou em ser empresária. "A gente morava no interior, não tinha cinema, lanchonete, nada, absolutamente nada. Na realidade, o trabalhar era uma forma de estar ocupado. Eu não tive esse tempo de pensar [em carreira]", conta Sonia, que vê muitas pessoas da sua geração com uma história parecida.

 

"Agora, na nova geração, todos já se preparam para isso e estão se preparando cada vez mais com MBA, pós-graduação, aperfeiçoamento, faz duas faculdades e tudo o mais", completa ela. Dos 2.337 funcionários da companhia, apenas 14 têm mais de 55 anos.No posto desde 2002, a catarinense, sexta de 16 irmãos, credita o seu sucesso a duas características: bravura e adaptabilidade.

 

"Sempre fui muito de enfrentar o desconhecido e aprender com isso. Às vezes você é colocada em algum ambiente e se pergunta ‘meu Deus, o que eu estou fazendo aqui?' e imediatamente observa, começa a entender e se adaptar àquele lugar. Se você quiser que o ambiente lhe descubra, esquece, você não vai resolver nada", aconselha a executiva. Apesar de não esperar ser indicada à presidência da empresa, Sonia diz que o desafio não alterou a sua rotina.

 

Novo comando

Antes de Sonia, o seu pai, sua mãe e seus irmãos já haviam liderado a companhia. No entanto, a executiva não enxerga mais a Dudalina como uma empresa familiar. "Nós temos uma governança muito bem estruturada. Dos quatro diretores, um só é da família [Rui Leopoldo Hess de Souza, diretor de varejo], os outros três são diretores estatutários, profissionais. Então, os colaboradores hoje não veem [a Dudalina] como uma empresa familiar. Ela é uma empresa de resultados", diz a executiva.

 

"O meu sucessor, que eu estou preparando, é um diretor que está conosco há muito tempo. Raramente nós não nos falamos todos os dias. Todas as ações que estou tomando eu compartilho. Eu estou treinando ele para ser realmente o meu sucessor, e não é da família", conta Sonia, sem revelar o nome do próximo presidente.

 

"Eu estou na Dudalina como presidente enquanto eu der resultado. Se algum dia eu não der, vou ter a humildade de sair", explica Sonia, que tem como meta chegar aos 60 anos como parte do conselho da camisaria e de outras empresas, além de se engajar mais em projetos sociais para melhorar o País.

 

Enquanto continua no comando, Sonia tem planos ambiciosos para a marca. A empresária, responsável pela criação da linha de camisas femininas, em 2010, viu o faturamento da Dudalina pular de R$ 140 milhões em 2009 para R$ 416 milhões no ano passado. Devido ao sucesso nacional, Sonia agora estuda abrir lojas em outros países.

 

Em outubro de 2012, a cidade italiana de Milão, considerada uma das capitais da indústria da moda, recebeu o primeiro showroom da Dudalina fora do Brasil. Em parceria com o empresário Gianni Asnaghu, da marca italiana de gravatas AD56, a camisaria também inaugurou um espaço shop-in-shop (quando a loja é abrigada dentro de outra loja) na Via Fatebenefratelli, no centro da cidade.

 

"A gente está aprendendo muito, porque internacionalizar uma marca brasileira não é uma coisa tão simples. Tem um custo alto, mas ao mesmo tempo, você pode fazer isso tudo de uma forma simples, devagar e quando tiver certeza de que elas podem ser feitas", pondera a executiva, que diz já ter planos para abrir outras lojas no Reino Unido, Austrália, Áustria, Rússia e Panamá.

 

"Temos essa segurança de que nós temos esse produto diferenciado, com uma super qualidade, que nós cuidamos de cada item e detalhe e que é fabricado por mãos brasileiras", completa.

 

Para o Brasil, a marca projeta faturar R$ 502 milhões em 2013, com uma produção de 4,5 milhões de peças, meio milhão a mais do que a produção do ano passado. No entanto, Sonia sabe que esse número poderia ser maior. "O Brasil precisa urgente da reforma tributária. Hoje, quando tenho na minha contabilidade mais pessoas do que no desenvolvimento de produto, tem alguma coisa que não está certa. Essa desburocratização é urgente", diz a empresária. Na sua opinião, a burocracia tem dificultado a entrada de investimento estrangeiro. "Tudo poderia ser muito simplificado. O Brasil não é país mais rico, o Brasil é o país mais caro", conclui.

 

Fonte: Brasil Econômico

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