

por Alexandre Horta

Dado que o nível de concentração da indústria de vestuário no Brasil é bastante reduzido (as cinco maiores redes varejistas não chegam a representar 20% das vendas em valor deste mercado), isso proporciona às inúmeras indústrias de confecção existentes no país, alternativas para escoar seus produtos sem ter que se sujeitar às exigências que essas grandes redes lhes impõem, seja em termos de padrões de qualidade para o produto, para a entrega e inclusive o respeito a certas convenções fiscais inconvenientes existentes.

Durante um certo tempo, a indústria acreditou que a eventual falta de produtos em uma determinada loja ou rede acarretava perda de vendas somente ao varejista, pois considerava que a fidelidade dos consumidores aos seus produtos e às suas marcas faria com que eles fossem procurados em outro estabelecimento.

Uma interessante evolução vem ocorrendo no que diz respeito aos níveis de investimento em tecnologia da informação por parte do Varejo brasileiro. Interessante, primeiro, porque o processo em curso é particularmente saudável para o fortalecimento do setor, uma vez que ele não está acontecendo apenas de forma concentrada nas grandes organizações.

Tem crescido muito a importância que as empresas têm dado à racionalização do sortimento de produtos que é oferecido a seus clientes. Durante muito tempo pareceu a essas empresas, tanto as industriais quanto as varejistas, que não haveria custos adicionais pela introdução de mais e mais produtos em seu mix. Tal hipótese, associada à visão de que a melhor maneira de atrair o consumidor seria pela maior variedade de oferta, fez as empresas expandirem, até o limite da irresponsabilidade, o número de produtos à disposição da sua clientela.

Poucas coisas são tão poderosas em termos de condicionar as decisões empresariais do que o “efeito vizinho”. Ainda que certas recomendações entrem e saiam da pauta das reuniões do board da empresa por um longo período, é mais certo que elas passem a ganhar o adequado relevo somente no momento em que um concorrente esboce um movimento similar àquela recomendação que repousava adormecida entre anexos de e-mails circulados meses (ou anos) anteriormente.